Porto Central aumenta integração logística com avanço da EF-118

Por Redação PortalPortuario

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O Porto Central vai ampliar seu alcance logístico com o avanço do processo de concessão da Ferrovia EF-118, cuja recente aprovação do Plano de Outorga viabiliza um novo corredor ferroviário no Sudeste. Em implantação em Presidente Kennedy, no sul do Espírito Santo, o complexo portuário privado multipropósito está posicionado na região diretamente impactada pela ampliação das alternativas terrestres de escoamento e abastecimento de cargas de grande volume.

Atualmente, o acesso terrestre ao Porto Central ocorre por meio do modal rodoviário, principalmente pelas rodovias BR-101, ES-060 e RJ-224. Com a EF-118 integrando o Anel Ferroviário do Sudeste, incluindo 246 km de ligação entre Santa Leopoldina (ES) e São João da Barra (RJ), a consolidação desse novo modal amplia a capacidade de conexão entre os principais polos produtivos do Sudeste e do Centro-Oeste e áreas portuárias do litoral. Tais condições garantem maior eficiência no escoamento da produção nacional e no abastecimento do mercado interno.

A chegada da ferrovia ao Porto Central também amplia a capacidade do país de reduzir os gargalos históricos de infraestrutura logística. A integração entre a EF-118 e o Porto Central cria as condições ideais para a movimentação de cargas como grãos, minérios, contêineres e produtos siderurgicos, ao mesmo tempo em que contribui para aliviar a pressão sobre portos já congestionados. Esse novo corredor aumentará a competitividade brasileira ao facilitar a chegada e o escoamento de cargas, ampliando alternativas operacionais para embarcadores e operadores logísticos.

Nesse eixo, o Porto Central será um dos principais portos capazes de absorver os fluxos gerados pela EF-118. Concebido para operar cargas industriais, energéticas, agrícolas, minerais, contêineres, e de comércio exterior em larga escala, conta com área de 2.000 hectares e infraestrutura de 54 berços multipropósitos em águas profundas de até 25 metros, o que permite a operação dos maiores navios do mundo. Essa capacidade viabiliza a entrada e saída de grandes volumes de cargas transportadas por longas distâncias, com acesso marítimo direto a rotas internacionais e redução de etapas intermediárias na cadeia, aumentando a competitividade logística das exportações e importações brasileiras.

De acordo com a gerente comercial do Porto Central, Jessica Chan, em projetos portuários em fase de implantação, a evolução da infraestrutura logística nacional é observada por operadores logísticos e usuários de infraestrutura na sua avaliação de investimentos de longo prazo.

“Sob a ótica da logística nacional, o avanço de projetos ferroviários no Sudeste amplia a participação do Espírito Santo nos corredores logísticos da região. A evolução da EF-118 é acompanhada pelos agentes do setor à medida que pode apoiar o planejamento nacional e o desenvolvimento do entorno portuário. Em outras palavras, o Porto Central pode se tornar o coração de um novo corredor de exportação e importação global”, afirma Chan.

Segundo informações públicas da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), o edital de concessão da EF-118 está previsto para o primeiro trimestre de 2026, com expectativa de leilão ainda no primeiro semestre. O cronograma ocorre em paralelo às obras da Fase 1 do Porto Central, iniciadas em dezembro de 2024, que contemplam a implantação do Terminal de Granéis Líquidos.

Esta primeira fase do porto foi concebida para viabilizar a operação de exportação de petróleo por meio da atividade de transbordo entre navios (“Ship-to-Ship”), permitindo a transferência segura e eficiente da carga para embarcações de maior porte e reforçando o posicionamento do complexo como uma solução logística estratégica para o escoamento da produção nacional. O plano diretor do Porto Central, no entanto, foi estruturado com uma visão de longo prazo de consolidar um hub integrado para as cadeias de petróleo, gás natural e novas energias, agronegócio, mineração, cargas gerais, indústrias, além de abrigar um dos maiores terminais de contêineres da América Latina, capaz de conectar o Brasil de forma ainda mais competitiva às principais rotas do comércio global.

Dados da Confederação Nacional do Transporte (CNT) indicam que o modal ferroviário responde por cerca de 21% da matriz brasileira de transporte de cargas. O Plano Nacional de Logística aponta a ampliação da malha ferroviária associada a terminais portuários como uma das estratégias para redução de custos logísticos e diversificação dos corredores de exportação, contexto no qual se insere o Porto Central.


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